Liberdade e justi?a para o povo palestino. por Lejeune Mirhan.

20/07/2014 10:48

 GAZA ... "Ore por Gaza" 


Cada bomba que cai em Gaza, mata um pouco de nós, do outro lado do mundo. 
Cada vida que tomba, nos mata um pouco também...
Cada criança que morre em Gaza, leva consigo um pouco da minha infância, um pouco dos meus filhos e muito de nossa dignidade...
Cada mãe que chora em Gaza, rega o chão com lágrimas de sangue de uma dor que também deve ser minha e tua.
Cada órfão que anda em Gaza caminha sobre o chão de uma amargura que me apequena.
Gaza grita, acachapada pela opressão que denuncia de forma urgente, vergonhosamente gritante, que esse mundo está mais doente que seus filhos.
Gaza grita e o mundo grita mais alto, tentando abafar o desespero que nos coloca de fronte ao espelho revelador de nossa vergonha.
Gaza é um "lá" que chega "aqui". 
O sangue que cai lá, respinga aqui.

Fabrício Cunha

Genocídio Palestino
Lejeune Mirhan *

Já há uma semana Israel reiniciou os bombardeios à Faixa de Gaza, onde moram quase dois milhões de palestinos. Alguns dizem que é maior prisão a ceu aberto do mundo. Quase cem pessoas morreram, em especial crianças e idosos. E o mundo assiste alado a mais uma barbaridade cometida por esse governo fascista que governa Israel.

O povo palestino é milenar. Mora na Palestina e cultiva as suas terras há mais e dez mil anos. A cidade mais antiga do mundo, que é citada na Bíblia inclusive, Jericó, é palestina e tem dez milênios de existência. Esse povo descende dos antigos filisteus. Posteriormente, com o Império Árabe-Islâmico a partir de 630, toda a região foi sendo arabizada.

No entanto, um projeto de colonização da região foi traçado já a partir de meados do século XIX, cujo objetivo seria tomar a Palestina para o povo judeu. Segundo esses e o velho testamento eles seriam o povo eleito, escolhido por deus para ter aquelas terras. Costumo dizer sempre: nada contra que cada deus prometa terras para os povos que neles acreditam. O que não se pode fazer é prometer terras de um povo que mora nelas há milhares de anos.

O movimento político que alguns judeus iniciaram para a tomada da Palestina leva o nome de “sionismo”. Isso nada tem a ver com judaísmo, também esta uma religião milenar. Aliás, boa parte dos 25 milhões de judeus no mundo nunca atenderam ao apelo dessa gente para mudarem-se para a Palestina. O que se chama Israel hoje tem em torno e sete milhões de judeus apenas e ainda assim vindo de mais de 70 países.

Mas, para que esses líderes sionistas pudessem levar adiante o seu projeto colonial de toda a região, eles precisavam aliar com o imperialismo inglês, que dominou a região entre 1920 e 1947. E foi o que fizeram. Um censo realizado por volta de 1910, atestou o que nós sempre soubemos: existiam morando na Palestina apenas 5% de judeus e todo o restante eram palestinos.

No entanto, essa realidade foi sendo alterada. Iniciaram inclusive perseguições de judeus em toda a Europa para forçar a migração judaica para a região. A situação foi ficando tão explosiva que a própria ONU – que também não era dona daquelas terras – decidiu dividir a Palestina e criar dois estados, o de Israel e o da Palestina. Os judeus ficaram com a maior parte, 54% e os donos da terra com 46%. Quando a Inglaterra se retira da Palestina em 15 de maio de 1948, imediatamente os sionistas proclamam a instalação de Israel.

A partir daí, os sionistas iniciam uma guerra contra os árabes e palestinos para tomar o restante das terras. Abocanharam 76% do total. Quase 500 aldeias palestinas foram destruídas, suas casas demolidas e suas famílias expulsas. No mundo hoje são seis milhões de palestinos vivendo o exílio. Mas Israel nunca se contentou cm isso. Quer sempre mais.

Nesses 66 anos da Nakba (que significa em árabe “catástrofe”), as coisas s pioraram. Ninguém segura Israel. Nem mesmo os Estados Unidos. São mais de 300 resoluções da ONU contra Israel, mas este estado bandido não acata nenhuma. E em apenas duas os Estados Unidos votaram a favor: 228 e 334, que assegura aos palestinos o direito de retorno. Mas nunca foram cumpridas.

Não bastasse a ocupação, os sionistas perpetram periodicamente massacres contra a população palestina. São dezenas. Os mais famosos foram o de Deir Yassim em abril de 1947, Sabra e Shatila (Líbano), em 1982, Gaza em janeiro de 2009. Neste último, tal qual faz agora, Israel bombardeou aquela pequena região por 22 dias seguidos.

Agora, mais uma vez, esse estado pária, governado por sionistas fascistas, ataca mais uma vez. As imagens nas TVs são impressionantes. Ficamos chocados com as crianças mortas. Destroem hospitais e escolas de forma proposital. São covardes, pois os pilotos que despejam bombas o fazem de avião e bem alto. Os palestinos são completamente indefesos. Não possuem seu exército, nem armas, nem bateria antiaérea.

O mundo precisa parar Israel. A tal da comunidade internacional precisa dar um basta às barbaridades e ao genocídio que Israel vem cometendo. É preciso libertar os quase dez mil presos palestinos. É preciso derrubar o muro de 700 Km que Israel construiu embargado pela ONU e pelo Tribunal Internacional de Justiça. É preciso instalar o Estado da Palestina. Israel precisa ter suas fronteiras definidas. E a Palestina precisa voltar aos mapas escolares. Hoje, ela não existe, mas quase dez milhões de palestinos vivem naquelas terras. Por isso a nossa integral solidariedade a esse povo.

* Sociólogo, professor escritor e especialista em Mundo Árabe. Possui seis livros publicados, dos quais três tratam da Palestina e Mundo Árabe. Viajou ao Oriente Médio e conheceu seis países, em especial a Palestina ocupada onde esteve três vezes.

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* Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Colunista da Revista Sociologia da Editora Escala, da Fundação Maurício Grabois e do Vermelho. Foi professor de Sociologia e Ciência Política da UNIMEPentre 1986 e 2006. Presidiu o Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo de 2007 a 2010.Recebe mensagens pelo correio eletrônico lejeunemgxc@uol.com.br.

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