Alem das Paredes - de Keyane Dias.

Blog da Jornalista Keyane Dias.

25/05/2011 10:14

 numa posição do topo da lista. Por vacilo, confesso, li poucos poemas dele, aprecio mais a prosa, seus romances e contos. Mas fuçando no YouTube agora a pouco achei esse poema do Buk em vídeo. Simples e verdadeiro. Me tocou mais ainda pelo fato de conhecer muitos tipos como o Bukowski, desses que, no fundo, também escondem seu pássaro azul. Será que não é hora de deixá-lo voar?




 
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terça-feira, 17 de maio de 2011

SÉRIE LIDE - TEXTO 1

 
Responsável por milhões de mortes e desgraças, sobretudo dos menos favorecidos, acredita-se que a primeira na história ocorreu na Suméria, mais de dois mil anos antes de Cristo. De lá, evolui simultaneamente com os governos e as sociedades que a impulsiona. Violência, intolerância e injustiça são suas ferramentas principais. Realizada entre nações, etnias, grupos e até mesmo no meio civil, é fonte de reportagens diárias em todos os tipos de veículos informativos. Gera riqueza para os que vencem e para os que dela tiram proveito. Além de uma que é fria, as mundiais são contadas, foram duas, as demais fogem à memória. Instrumento na busca pelo poder, a guerra externaliza sempre o egocentrismo humano, seja individual ou coletivo.

Hiroshima
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Lide: abertura de texto jornalístico que apresenta sucintamente o assunto ou destaca o fato essencial da matéria (Dicionário Rouaiss 2009). Responde às perguntas: "Quem?", "O quê?", "Quando?", "Onde?", "Como?" e "Por quê?" (qualquer bibliografia sobre redação jornalística).

Esse é o primeiro lide da Série Lide. Leia, que você entenderá a ideia. Como sempre, não garanto uma periodicidade.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

HERMANOS, "INDIANOS" E BRASILEIROS

 
Hoje o ônibus que peguei de volta pra casa estava multicultural. Sério mesmo. A tal da globalização e da diversidade brasiliense é comum, mas às vezes consegue surpreender. Primeiro, surge um daqueles cancioneiros peruanos que tocam flauta e um instrumento de corda que eu não sei o nome. Já vi vários deles por aí, mas o repertório de hoje era especial: a velha e clássica “Galopeira”, do Chitãozinho e Chororó, naquela levada á moda peruana. Ele toca, ganha só um real, e desce desbaratinado em qualquer parada por aí.

Eis que surge outro sulamericano, velho, de chapéu e desdentado, vendendo “modelitos diversos de chaveiritos”. Não dava pra entender nada que ele falava, só o “modelitos diversos de chaveiritos”. A maioria dos passageiros, trabalhadores cansados no fim do expediente, olhava aquela segunda aparição peculiar sem compreender se aquilo não passava de uma coincidência étnica ou se ambas as figuras faziam parte do mesmo grupo. Um burburinho aqui, outro ali, e lá se vai o vendedor de chaveiritos levando, também, apenas realzito da venda de uma única mercadoria.

Até aí basta, né? Nada... Na parada Rodoferroviária entram quatro caras que pareciam indianos, falando uma língua muito mais difícil de entender que o portunhol do tio dos chaveiritos. Cada um com sua mochila mega lotada, vão às pressas procurando algum lugar pra sentar sem parar um instante de conversar. Aquelas falas rápidas, com um tom de voz muito, mas muito alto (e divertido), foram o alvo dos olhares curiosos dos demais passageiros pelo resto do percurso.

O que mais me chamou atenção foi quando um deles achou um jornal “Coletivo” jogado em um dos bancos e se pôs o folheá-lo, entendendo tanto quanto eu entendia o que eles estavam conversando. Mas dava pra notar que ele decifrava mesmo eram as imagens, fazendo expressões faciais diferentes pra cada uma. Minha curiosidade era ver que cara ele faria quando aparecesse a foto da “gostosa da semana” (dessas que todo jornal gratuito ou de R$ 0,50 tem), mas desci antes disso de acontecer, droga!! 

Diferente dos hermanos, os quatro "indianos" não estavam vendendo nada, o que me fez pensar sem chegar a conclusão nenhuma sobre o que eles estariam a fazer na Samambaia. É, Keyane, quieta essa curiosidade. Isso é algo que, provavelmente, jamais saberei.

Ps.: já tô falando de novo de ônibus, dava até pra voltar a escrever a série "Papo de Buzu". Não, não! Deixa quieto.

 

sábado, 23 de abril de 2011

VIDA DE PLÁSTICO, VOCÊ QUER?

 
“Visite os decorados”. “Venha morar no complexo residencial mais completo da cidade”. “Tudo o que você precisa, está aqui”. Quanta babaquice mentirosa é vendida por aí. E quanta gente consome e sonha por isso. Fico pensando na sociedade de plástico que estará por toda parte daqui a uns 10 anos. Ela já até existe, não é difícil identificar os casaizinhos hiper higienizados e as crianças criadas a sucrilhos e yourgute desnatado. Mas do jeito que a coisa anda, esse status de gente vai multiplicar numa velocidade enfreável.

Não quero isso. Sério! Não quero uma casa pré-moldada, branca, sintética, com tudo a meu alcance. Não quero controle remoto até pra ligar o fogão, muito menos um shopping center no andar de baixo do meu quarto. Que merda de vida é essa? Cadê o quintal, o banho de mangueira, a criançada jogando bete até a mãe vir puxar pela orelha? Pensando sobre isso acho até que vou parar de reclamar quando os muleque aqui da rua jogam a bola no telhado da minha casa. Aborrecimentos bestas, como esse, daqui uns anos serão motivo de saudade.

Essa, definitivamente, não é a diversão que 
eu quero para os meus filhos
Pra todo lado que você olha nos centros urbanos tem esses outdoors, mobiliários urbanos e comerciais na TV vendendo uma vida tão sem graça quanto uma entrevista da Xuxa com a Ana Maria Braga. Aos poucos, vejo minha querida Taguatinga ser inundada por isso. Até aqui, na Samambaia, essa proliferação vai ganhando espaço. Na boa, pra mim, concordem ou não, isso nunca vai ser bem viver. Relembrando as ideias do Baudrillard, um dos caras mais massa que estudei na faculdade, essa merda toda não passa de simulacros da felicidade. Só me entristeço pelas crianças, que não têm a opção de escolha. Quanto aos adultos, compra esse status quem quer.
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

E NO CAMINHO, UMA RODOVIÁRIA

 
Fazia tanto tempo que eu não aparecia na rodô. Meus pulmões até estavam desacostumados com a falta de poluição e fedor concentrados. Mas não tem jeito, depois das 9 da noite, centro de Brasília, não resta outra alternativa a não ser se enfiar no destino central do "buraco do tatu".

Como sempre, passam semanas, meses, estações e nada muda por lá. É tudo fisicamente tão estático naquela feiúra toda que até parece que os rostos ao redor são sempre os mesmos. Mas não são. E é isso que faz a rodô não ser tão ruim assim. A infinidade e diversidade de tipos que trafegam, moram, trabalham e passam por ali. 

Os fresquinhos, em especial as fresquinhas, dizem exatamente o contrário: "Não suporto aquele lugar com mendigos e pessoas sem educação." Tá, tudo bem, se acha tão ruim assim compra um carro  (um dia compro o meu) novo última geração ZY3K e não ande de ônibus. Caso contrário, você será mais um dos que chama, generalizadamente, de sem educação: passageiros (sem melhores opções). 


O problema da rodô é, antes de tudo e de todos, o esquecimento pelo que chamamos de governo. Ela é um ponto cego no centro da linda Brasília usado por trabalhadores, desempregados e estudantes sem carro e sem grana. Mas, por trás de tudo isso transbordam histórias pra contar. E lá estava eu, outra vez.

Claro que minha reaparição na rodô não passaria sem nenhuma desventura, aquelas situações adversas que, na verdade, são cotidianas por ali. É isso mesmo que você usuário ou ex-usuário da rodô está pensando. Meu ônibus quebrou antes mesmo de sair da baia. 

...que pariu. E lá estava eu, naquela lata retangular quebrada (semi-nova, como pode?), esperando saltar de onde nem mesmo saí. Enfim, chega outro ônibus e alegria novamente reina nos olhos dos passageiros. Sobra disso tudo, um papel com letras estremecidas. Essas, que você acaba de ler. 
 

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