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15/04/2017 07:35
Entrevista com o fotógrafo português João Silva
Greg Marinovich baleado ao lado do fotojornalista americano James Natchwey. Foto de João Silva

 

 https://www.rtp.pt/noticias/pais/entrevista-com-o-fotografo-portugues-joao-silva_v522427

João Silva é um português reconhecido como um dos melhores e mais experientes repórteres fotográficos de guerra do Mundo. Em Outubro de 2010 pisou uma mina no Afeganistão e perdeu as pernas. Passado um ano entrou na maratona de Nova Iorque numa cadeira de rodas e quer voltar a trabalhar para o New York Times.Fonte:www.rtp.pt

 

Biografia

João Silva nasceu em Lisboa em 1966 mas mudou-se ainda jovem com os pais para a África do Sul, onde vive até hoje com a sua família. Começou a tirar fotografias e a ganhar o gosto em 1989 e percebeu que queria fazer isto da sua vida quando fotografou uma jovem negra a ser golpeada com uma foice por outras mulheres em Thokoza. João decidiu que não queria apenas ser fotógrafo mas sim repórter de guerra.

Iniciou a sua carreira como fotojornalista no jornal local sul-africano Alberton Record. Já em 1991, começa a trabalhar no diário de Joanesburgo: The Star. Em 1994, junta-se como fotógrafo à agência Associated Press. A partir daí, João começou a fazer, de forma regular, trabalhos freelancer para o The New York Times. Em 2000, ganha um contrato com este jornal, para o qual trabalha ainda hoje.

A nível profissional, o fotojornalista é considerado um dos membros do grupo Bang-Bang Club, um grupo de fotojornalistas que cobriu e captou os melhores e piores momentos do fim do apartheid na África do Sul. Com o objetivo de mostrar a realidade do grupo, escreveu com um dos outros membros, Greg Marinovich, o livro com o mesmo nome do grupo: The Bang-Bang Club. O livro foi adaptado ao cinema em 2010. Publicou também, em 2005, o livro In the Company of God, um livro em forma de compilação fotográfica do trabalho de João sobre os xiitas no Iraque pós-Saddam.

Em 2010, dá-se o episódio mais violento não só a nível profissional mas também pessoal. No sul do Afeganistão, enquanto acompanhava as tropas norte-americanas, pisou uma mina e ficou sem as duas pernas.

Bang-Bang Club

Bang-Bang Club foi o rótulo atribuído ao grupo de fotojornalistas que cobriram o fim da era do apartheid, mais precisamente entre os anos de 1990 e 1994. Durante um período de transição do regime para uma ditadura democrática liderada por Nelson Mandela, os fotógrafos captaram os melhores e os piores momentos deste período que foi um dos episódios mais violentos da história. Os quatro nomes por trás deste grupo são João Silva, Greg Marinovich, Kevin Carter e Ken Oosterbroek.

Auxiliados pelo facto de serem brancos numa guerra de negros, o grupo conseguia entrar e passar despercebido nas organizações envolvidas e nos próprios conflitos armados. Essa aproximação deu-lhes a possibilidade de presenciar e captar momentos como assassinatos ou torturas. Esta realidade que passava para os grandes jornais da época deu-lhes não só uma grande visibilidade mas também o lançamento de um grande debate sobre aos valores éticos inerentes à profissão. Questões como “Será que não devem parar de fotografar quando se apercebem de algo ou alguém em perigo para ir ajudar?” é uma das questões que se colocam. Os casos mais próximos a esta revolta foram essencialmente dois. Em primeiro lugar, a série de fotografias premiadas com o prémio Pulitzer de Greg Marinovich na qual se pode observar um homem a ser queimado vivo em Soweto. Posteriormente, a fotografia de Kevin Carter, também premiada com um Pulitzer, na qual se vê uma criança a proteger-se e sem forças enquanto que um urubu a observa como se estivesse à espera para atacar. Esta foi a imagem que causou a maior revolta, tanto que acabou por ser fatal para o próprio autor. Envolvido numa grande pressão e vendo a solução na droga, acabou por se suicidar em 1994.

Greg Marinovich comenta esta situação dizendo: “Às vezes sentíamo-nos uns abutres. Pisávamos cadáveres, metafórica e literalmente, e fizemos disso o nosso ganha-pão. Mas nunca matamos ninguém e, na verdade, até salvamos algumas vidas”.

Exposição “Pesadelo”

“Pesadelo” é a primeira exposição do fotojornalista em Portugal. Foi exposta pela primeira vez a 2 de Junho de 2008 na galeria do Jornal de Notícias, no Porto. Este foi o dia em que o jornal diário português celebrou cento e vinte anos, aproveitando para inaugurar a exposição neste dia. A exposição esteve aberta até 6 de Julho do mesmo ano. Contém cinquenta e seis fotografias e é uma seleção das melhores fotografias captadas em vários momentos da carreira de João Silva: guerra no Iraque e no Afeganistão, conflito no Líbano, violência étnica no Quénia, a desumanidade nas prisões do Malawi, o HIV nas zonas rurais da África do Sul e a venda de crianças e adolescentes para trabalharem na pesca no Gana.

O nome escolhido para esta exposição tem um simbolismo evidente. O que mais impressiona o fotógrafo não são os conflitos em si mas sim ver sofrer e morrer pessoas inocentes. Como João Silva afirma, “O que me inquieta são as situações de injustiça, de total sofrimento. O ver – olhos nos olhos – tombar crianças, mulheres e idosos sem qualquer culpa, sem qualquer responsabilidade. São autênticos pesadelos”. Daí o nome “pesadelo” para título da exposição. São pesadelos vividos não diretamente por si mas que se prolongam na sua memória e que são impossíveis de cair no esquecimento: “não esqueço, não posso esquecer e lembro-me delas frequentemente”.

O objetivo principal desta exposição foi, de forma evidente, dar a conhecer os muitos anos de trabalho do fotojornalista. Já as fotografias escolhidas têm como intuito a base principal do fotojornalismo: informar. Como se pode ler numa das notícias do Jornal de Notícias sobre a exposição, “”São imagens que registam e informam” – e esse é o seu principal préstimo: testemunham, provam como verídico, sabem da sida em Hlabisa, viram crianças vendidas no Gana, ouviram os buracos no betão do Líbano e mostram para sabermos que os junkies de Cabul se aninham da mesma forma defronte da heroína que os picados do Aleixo do Porto.”

A galeria passou também pelo Diário de Notícias, em Lisboa, jornal diário que pertence ao mesmo grupo do Jornal de Notícias: Controlinveste.

A exposição apresenta fotografias usadas na imprensa, especificamente no jornal The New York Times, no qual João é um dos repórteres fotográficos residentes.

A seleção das fotografias passa não só por escolher momentos dos episódios acima referidos como também mostrar as duas faces. Isto é, apresentam-se fotografias que captam o lado do exército e de forças superiores mas ainda fotografias ligadas à população, quer seja o lado dos revoltados como o dos inocentes. Um caso exemplificativo é a seleção de fotografias ligadas ao conflito no Iraque, no qual a exposição aposta não só em fotografias do lado do exército norte-americano como também do lado da população iraquiana. Esta é uma forma de mostrar dois olhares completamente diferenciados do mesmo conflito e dar a conhecer os vários protagonistas.

“Prisons of Malawi”

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Thalyta Ribeiro de Oliveira Incrível seus projetos, tanto de fotografia, quanto com a galeria e as produções audiovisuais. Apenas continue!!
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